Uma poesia em apelo a crise mundial – Às vezes quisera…



Às vezes quisera
que não me doessem as coisas
que existem e que eu não posso evitar
às vezes quisera não ver
as trapaças, a corrupção, a violência
esta ganância desenfreada por dinheiro e poder

Às vezes quisera ser
um extra-terrestre
para não ser cúmplice
desta humanidade
porém sou ajuizada, astuta, um tanque



Às vezes quisera ser
um soldado que no tanque vai
frente a mentira, frente a verdade

Às vezes quisera ser
a mãe que presenteia seu filho
ser a outra que o cria
sendo saqueada por mercenários
lamentando seu dinheiro
que sempre vale cada vez menos
mas é a última defesa
da sua integridade



Às vezes quisera ser
o político que sabe que mente
ter esta a hipocrisia escancarada em seu rosto
diante da pobreza do cidadão
que paga o seu gordo ordenado

Às vezes quisera ser
o jornalista que mais se diverte
ser o presidente que adianta o fim
vendo a crise mundial desenfreada
acabando aos poucos com o emprego
do povo sofrido, que ainda acredita
que luta por dias melhores

Sou a impotência, a angústia, o nada
Sou o olhar que enxerga mas não aguenta ver
Às vezes quisera não ver
que não me doesse ver a realidade
só me resta rezar
o que vou fazer…

(Cristiane Souza Gomes)

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3 Comments

  1. Cristiane,
    Quisera que nunca abandone os teus sonhos, os teus ideais.
    O que manifestas em tuas poesias é a ânsia de uma idealista… precisas te juntar a outros idealistas para poder ter melhor efetividade de ação.

    Beijos e Feliz Natal

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