Às vezes quisera
que não me doessem as coisas
que existem e que eu não posso evitar
às vezes quisera não ver
as trapaças, a corrupção, a violência
esta ganância desenfreada por dinheiro e poder

Às vezes quisera ser
um extra-terrestre
para não ser cúmplice
desta humanidade
porém sou ajuizada, astuta, um tanque

Às vezes quisera ser
um soldado que no tanque vai
frente a mentira, frente a verdade

Às vezes quisera ser
a mãe que presenteia seu filho
ser a outra que o cria
sendo saqueada por mercenários
lamentando seu dinheiro
que sempre vale cada vez menos
mas é a última defesa
da sua integridade

Às vezes quisera ser
o político que sabe que mente
ter esta a hipocrisia escancarada em seu rosto
diante da pobreza do cidadão
que paga o seu gordo ordenado

Às vezes quisera ser
o jornalista que mais se diverte
ser o presidente que adianta o fim
vendo a crise mundial desenfreada
acabando aos poucos com o emprego
do povo sofrido, que ainda acredita
que luta por dias melhores

Sou a impotência, a angústia, o nada
Sou o olhar que enxerga mas não aguenta ver
Às vezes quisera não ver
que não me doesse ver a realidade
só me resta rezar
o que vou fazer…

(Cristiane Souza Gomes)


Árvores enfeitam os sonhos
dentro de bolinhas coloridas
um sonho de um mundo melhor
mais humano e mais fraterno

Acredito no espírito natalino
Onde devolve a todos a solidariedade
E seguimos com o exemplo
e a humildade do menino Jesus

Que nasceu numa manjedora
E o seu amor maior
salvou o mundo
e nos trouxe a esperança
para os nossos corações

Esperança de dias melhores
onde a paz irá reinar na Terra
onde todos os povos darão as mãos
e unidos cantarão a mesma canção natalina
de amor e paz a todos os homens
de boa vontade.

FELIZ NATAL!!!

(Cristiane Souza Gomes)


Herói Urbano

Seria apenas um herói
Que ri de si mesmo diante do espelho
E tem medo de sentir medo do escuro
Os heróis saem de revistas, das telas, podem tudo
Até mentir, até fugir
Esse herói de que falo gosta de brincar com os animais
Gosta de correr na chuva e comer pipoca
Ama a lua e os sons suaves
Dorme cedo porque tem que trabalhar no outro dia
Meu herói não tem capa nem fantasia
É basicamente humano
Sente frio, fome, prazer
Meu herói também chora
E tem noites que os seus pensamentos também o incomodam
Mas ele não quer fugir disso
Enfrenta de frente, não perde a esperança
Dias melhores virão, ele sempre diz
Mas às vezes ele chora baixinho, solitário
E não deixa ninguém saber
Ás vezes menino, ás vezes maduro
mas sempre com um sorriso no rosto
Sabe quando calar e o quê falar
e o quê realmente precisamos ouvir
Meu herói tem um olhar puro e bonito
É apenas um herói plebeu, sem bandeira
Um herói anônimo como tantos por aí
Um herói que não sabia que era herói
Porque por mais incrível que pareça
Ele nunca quis ser um herói
mesmo sendo a todo instante
Meu herói não saiu de revista
porque ele é real
mas que virou poesia
por ser simplesmente ele mesmo…

(Cristiane Souza Gomes)


Triste realidade

É principio da noite
Os carros passam velozmente
As pessoas caminham apressadas e indiferentes
Todos estão regressando para suas casas
Todos querem se isolar-se nos seus lares
Todos querem o seu canto para se abrigar
Todos?
Em meio a tantas pessoas
Um homem…
Louco? Quem sabe?
Roupas imundas
Caminha indiferente a tudo
Sem ter aonde ir…
Sorri, sorri de quê?
A vida não foi tão calorosa com ele
Será que até Deus o esqueceu?
Olho-o amargamente
Não parece gente
Queria vê-lo asseado, normal, no seu lugar
com um pouco mais de dignidade
Quem será?
Quanto bem já fez?
Quanto mal sofreu?
Quantas decepções viveu?
As pessoas continuam a passar…
Ele senta no chão e fica em silêncio
E em silêncio continuará…
Porque desistiu da vida?
Porque não luta?
Parece que morreu para ele mesmo…
Morreu para todos
porque ninguém o vê
Só estará vivo enquanto eu o olhar
Depois para mim também morrerá
Porque dele também me esquecerei…

(Cristiane Souza Gomes)





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